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Naquela reunião da CAM – Coordenação Arquidiocesana dos MESC – Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão – da Arquidiocese de Curitiba, sendo minha incumbência a sua condução, eis que o Padre que faria a explanação formativa não pode comparecer. Como cabe ao MESC, com fundamentação, fidelidade e amor, conduzir o Culto na ausência prevista ou imprevista do Padre, bem como as Celebrações da Palavra, Eucarística e da Esperança, dentre outras atribuições de liderança, provi os presentes com uma explanação formativa, habitual na primeira meia hora de todo encontro mensal da CAM. À minha frente, os Coordenadores Setoriais e outros MESC, à minha esquerda três dos meus companheiros da CAM e da equipe de formação e à direita igualmente, sendo, respectivamente, o Coordenador Arquidiocesano e o Coordenador da Equipe de Formação de MESC.

Dentre outras considerações, lembrei-lhes uma obviedade: a Igreja é acolhedora, como o sabemos e ensinamos, e nem sempre o somos. Por exemplo, antes de a reunião começar, conforme quem chegava fosse pouco conhecido de alguém que já estivesse em conversa com outro, foi simplesmente ignorado: não recebeu “boa tarde” ou ao menos um olhar simpático; vários dentre os MESC presentes foram ignorados e ignoraram alguém. Insisti que antes da Santa Missa, à porta, e não somente nela, é comum quem não se sinta acolhido e comum quem não acolha. Ponderei que deveríamos acolher alegre e sinceramente, primeiramente, os estranhos, menos íntimos e carentes de ombro amigo, ante a compreensão dos mais conhecidos e amigos; enquanto estes se ocupariam em também acolher principalmente ao próximo não tão próximo das suas relações familiares, profissionais e comunitárias.

Propus que doravante nos desafiássemos a nós mesmos para acolher mais e melhor, e começássemos naquele instante: levantando-nos e indo ao encontro daqueles aos quais acabáramos de ignorar, ainda que sem a intenção deliberada. Para parecer antipático, desinteressado, magoar a afastar alguém não é preciso ter a intenção; basta não receber ou não dar verdadeira e amável atenção…

Reiterei a obviedade de a Igreja ser acolhedora, afinal, fiel ao Seu fundador, e não por acaso, é a Instituição mais acolhedora da humanidade. E mais o será conforme entre seus partícipes haja mais intensos e felizes acolhedores durante a celebração da Santa Missa. Ora, se Missa remete à missão e esta se realiza em período integral, então, razoável depreender que sejamos permanentemente, naturalmente, prazerosamente, acolhedores: em casa, no trabalho, na rua, no voluntariado, no serviço pastoral, na alegria e na tristeza…

A Igreja somos nós e somos bastante acolhedores. Em nada somos melhores que os outros, mas, “a quem mais é dado mais será cobrado”  e somos formadores de opinião. É nossa obrigação nos propiciar contínuo aprimoramento da nossa formação e do nosso testemunho; e este começa por sermos acolhedores uns com os outros. E em verdade, não por mera e pobre obrigação e sim com indescritível e riquíssima satisfação.

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 13 de julho de 2012