seguidores de Jesús

Para ser seguidor de Jesus é preciso ser autêntico, no entanto, mesmo as mais dignas das pessoas tenderão a taxar de grosseiro e antipático aquele que lhes escrever, falar ou fizer algo que seja contrário ou incômodo ao seu pensamento e comportamento usuais. Apontarão falhas e defeitos em quem se atrever a incomodá-las. Geralmente, às costas, perguntarão “quem ele pensa que é”, defenderão que suas qualidades, serviços, motivos e méritos são melhores e maiores que os do sujeito que se atreveu a incomodá-las. Vários poderão até calar, concordar, sorrir e abraçar, aparentemente; e no seu íntimo entristecer, magoar, revoltar etc. A depender do verdadeiro caráter, temperamento, momento, conteúdo e experiências, promoverão retaliações, inclusive, em nome e a serviço de Jesus; e alguém até se afastará ou criará um grupo a seu gosto.

Poucos destinatários da autenticidade de outrem têm grandeza para extrair lições que lhes propiciem evoluir. Muitos só aprovam o que lhes agrade aos ouvidos, se limitam ao monólogo ou à discussão e ignoram os benefícios do diálogo. Da natureza humana é fazer-se de vítima, terceirizar responsabilidades e não exercitar empatia e alteridade.

Para ser autêntico é preciso ter embasamento; o que exige constante estudo formal e informal, muitíssima leitura útil, apurada leitura crítica, coerência, serenidade, sabedoria, coragem, humildade, paciência, perseverança, solidariedade, abnegação, dentre outros predicados interligados. Quanto menos houver destes predicados bem compreendidos e harmoniosamente realizados: mais inútil,  risível e nociva a autenticidade.

Por vezes, a autenticidade adequada será fazer silêncio e ou escutar (que não é apenas calar) e a sempre bem vinda oração pelo próximo e por si mesmo.

O autêntico o é até o limite do seu saber, equilibrado, e baseado nos Documentos vigentes da Igreja; e não só em livros, falas e ações do autor ou grupo preferido e nem tampouco só na opinião e gosto particular. Quando fala a uma só pessoa, se norteia pela correção fraterna (Mt 18, 15-20), ciente que poderá receber, serenamente, a mesmíssima correção.

Quem se diz cristão só o é se for autêntico: ensinando e aprendendo, perdoando e perdoado, estudioso e culto ou não, fervoroso ou nem tanto ou nem um pouco (há ateus e agnósticos que estudam e testemunham valores convergentes com os que dizemos aceitar); e nos seus pensamentos, sentimentos e orações.

É difícil ir se construindo um ser autêntico: saber o que vai falar, como, quando, quanto e a quem. Há que ter equilíbrio, para não praticar intromissão e nem omissão. A ação deve ser correspondente à intenção.

Para um viver autêntico, ainda que imperfeitamente, há o exemplo do perfeitamente autêntico Jesus.

Este autêntico, grosseiro, omisso ou intrometido – conforme percepção de cada pessoa com a qual interagi – não conhece outro modo de ser Seu seguidor.

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente 29 de maio de 2012