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Jesus nos apresentou o Caminho: Ele! Não disse um caminho, qualquer caminho, mais um caminho etc. Por aqueles dias comunicou a Pedro que sobre ele edificaria a Sua Igreja. Antes, entre e após estas duas basilares determinações, Jesus sempre clarificou o imperativo de viver em harmonia e construindo unidade, em que pese as naturais diversidades. E que as portas da Sua Igreja são abertas para todos (catolicidade) os pecadores que queiram conversão para uma vida digna, reta (santidade); menos importando se a conversão será imediata ou lenta e gradual, desde que sincera.
Quando, entre nossos irmãos separados dotados de bom senso e boa vontade, surge a saudável tentação de fazer o que poucos católicos fazem, estudar e conhecer a fé e a religião que seguem, na sua origem e não só a partir da dissidência escolhida, no mínimo, arriscam-se a padecer outra gostosa tentação: passar a respeitar ou a respeitar mais o catolicismo; ou, a sucumbir ante a maravilhosa tentação de voltar ao rebanho original.
O que chamo de saudável tentação é nada além do esperado de qualquer católico minimamente razoável: ao longo da vida, conforme suas possibilidades, estudar e conhecer Bíblia, o Catecismo, a Sagrada Liturgia, os documentos da Igreja etc. Cuidando para não se afogar em fontes marcadas por má fé ou má formação (gente com boa fé, sem formação suficiente e que vira formadora, por assim dizer…). E que haja serenidade e discernimento, senão, todo o saber de nada valerá ou será deletério…
Alguém que se embasa bem quanto ao Santo Livro, gradativamente compreendido e saboreado sem a temeridade de reduzi-lo a cardápio, munido das riquezas da exegese, da hermenêutica (fartamente disponibilizadas em linguagem acessível em livros, documentos, cursos, palestras, encontros e homilias bem preparadas), logo aprende o que são e depreende a importância da Tradição e do Magistério: são os três pilares para a formação doutrinal e moral da Igreja (nós).
Por essas e outras, tem gente que sai e tem gente que volta ao catolicismo.
Há gente santa entre os irmãos separados e seguidores duma entre as denominações protestantes (históricas ou reformadas), pentecostais, neopentecostais, inclusive, entre os crentes em alguns dos múltiplos mercantilistas auto proclamados homens/mulheres e tesoureiros de Deus. Não serão menos bons e menos dignos porque se afastaram do catolicismo, da Igreja de Jesus, de Pedro e de cada Papa, até Francisco. No entanto, poderiam refletir se não seriam ou serão mais coerentes se entendessem ou entenderem que uma igreja criada por uma pessoa, uns quatrocentos, quarenta ou quatro anos atrás, mesmo que com boa fé, só pode resultar de motivações humanas, nas quais prevaleceu a vaidade e a obtusidade e não a humildade, a intolerância ou impaciência e não a perseverança. Um círculo vicioso infindável: o dissidente de hoje, amanhã será vítima de dissidentes dele e da doutrina que ele inventou.
Crer ou não crer é com cada um. Também no Cristianismo, divergir é inevitável, pode ser saudável e contornável; separar é lamentável e contraditório e ajuda a apequenar, não o Cristianismo, mas a compreensão que se tem dele.
“Até que todos sejamos um só povo e um só rebanho” é propósito divino inviabilizado pelas ações de humanos que criam cada vez mais rebanhos às suas caras e semelhanças, sob seus gostos e interesses, em nome de Jesus. Resta a esperança concreta de que entre “nós e eles”, todos tão católicos quanto evangélicos, há pessoas suficientemente estudiosas e piedosas para a celebração do diálogo, da tolerância, enfim, da empatia, virtude intrinsecamente cristã.

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 29 de janeiro de 2015