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A pior crise a prejudicar alguém é a da mesmice!

Política partidária, serviço público, economia, mídia, religião, sustentabilidade, mercado de trabalho e outras grandes atividades ou temas – cheios de gente que os realiza com populismo, demagogia, massificação, alienação, hipocrisia, obtusidade – contribuem para que o Brasil permaneça injusto e medíocre em infraestrutura, saúde, segurança e, antes, educação, estando na rabeira de diversos indicadores internacionais. Isto explica e justifica crises políticas e econômicas? É mesmice ou oportunidade?

Sem crise, com o crescimento da economia é provável o fechamento de postos de trabalho em empresas que se modernizam e, melhor, inovam; surgem outros postos de trabalho, novas empresas, novas profissões, e outras deixam de existir quando se tornam obsoletas e não querem ou não conseguem se adaptar ou reinventar. Com crise, muitos mais não conseguirão recuperação ou volta ao nível de antes.

Não existe emprego formal para todo mundo e entrar, permanecer e evoluir no mercado de trabalho como empregado ou empreendedor é desafio exigente de preparação além da que pessoas em geral possuem ou acham que possuem e acreditam bastar. Multidões tendem a contra argumentar com exemplos de sucesso por intermédio de conceitos defasados ou insuficientes: se a pessoa tem sua renda, como contestá-la? Tem gente possuidora de predicados diferenciados e está em dificuldades: viver não é ciência exata, ninguém está livre de imprevistos ou casualidades, num mundo, aliás, injusto.

Apesar das crises, o país avança em alguns indicadores e atividades – fruto de atitudes coletivas com gente que normalmente não angaria fama, fortuna e poder, e não por ação de um sujeito ou seu grupinho: em que pese o constante oportunismo de autoproclamados pais e mães das crianças dos outros, de pintores de quadros com belos cenários que não existem, mas, que atendem seus interesses infames. Se o país tem nichos de excelência ou de produtividade, estes são gerados por gente que sai da mesmice e se destaca, criando ou aproveitando oportunidades. Será graças ao surgimento de mais gente assim que um dia o Brasil vai se desenvolver concretamente.

Você me achou vago, confuso, equivocado, chato? Enigmático, instiguei sua curiosidade? Se suas respostas aos seguintes questionamentos forem próximas do que entendo por adequadas ou interessantes, você saiu ou poderá sair da mesmice e o que escrevo e falo é ou virá a ser insuficiente: vai oportunizar buscar fontes melhores.

Patrões só pensam neles e são o mal necessário para quem precisa de salário, não consegue ou não quer empreender?

‘Patrão sério e capaz contrata para resolver problemas da sua empresa e não os daqueles que contratar!’ Não tem injustiça e tem oportunidade nesta afirmação. Você as identifica?

Qual é ou deveria ser o objetivo de toda empresa e empreendedor? Dica: a resposta não é o lucro, mas ele conduz a resposta.

Empregado, trabalhador, colaborador e profissional são necessariamente sinônimos?

Qualificação e adequação têm diferença? Se sim, qual?

Quando o tempo de experiência – nenhum ou longevo – pode ser desabonador?

Cargo, função, poder, autoridade e liderança são sinônimos? Ou interagem e pode-se conceituar cada qual? E em relação a você?

O que é resiliência? Você é resiliente?

O que é inteligência emocional? Caso saiba o que é: como está a sua? Tem certeza da veracidade da sua autoavaliação?

Afirmei que modernizar é menos que inovar. Concorda? Se sim, qual a diferença?

Afirmei que crescer é menos que desenvolver. Concorda? Se sim, qual a diferença?

O que é analfabetismo funcional? Você é analfabeto funcional? Se respondeu não: tem certeza?

Sabe identificar e administrar inteligente e eticamente no seu cotidiano: fato, boato, versão, opinião e ponto de vista?

O que é ideologia e propaganda ideológica?

Se existe diferença entre ficar calado, ouvir e escutar, qual seria?

O que é empatia? Você é empático? Tem certeza?

Faz networking igual quase todo mundo faz ou igual ao que poucos fazem?

Aceita que a trava ou cisco nem sempre está no olho do outro?

Imparcialidade é sinônimo de isenção? Se não: qual pode existir com dignidade e qual deve existir para que haja dignidade?

‘Jesus Cristo é político.’ Você se surpreendeu com esta afirmação? Você é político ou é politiqueiro? Sabe a diferença?

Ação e atitude; eficácia e eficiência; educação e gentileza; ambição e ganância: são sinônimos? Se alguma das quatro comparações não apresenta sinônimo, qual a diferença?

O pensamento determina o comportamento? O comportamento pode determinar o pensamento?

Ante questionamentos que não agradam ou você não entende: ignora-os para não se incomodar, se faz de vítima, se afasta e desabona quem questionou? Ou, estaria entre os que enxergam preciosas oportunidades? Que oportunidades?

Seu caráter e seu status são cada vez mais próximos e convergentes? Ou este é muito diferente e melhor que aquele?

Os conceitos contidos nestes e noutros questionamentos são antiquíssimos e atualíssimos: constituem o que chamo de ‘tecnologia de vanguarda para o mercado de trabalho e para a vida’. Nem chegam a ser novidade, quase todo mundo diz ou diria que os aplica ou aplicaria, recomenda ou recomendaria; são abundantes nos cursos e livros de ética, de comportamento, em palestras e livros motivacionais, nos estatutos de partidos políticos, nas redes sociais, nas doutrinas religiosas e suas celebrações e pregações. São sujeitos a variações entre aceitáveis e lamentáveis, dependentes das interpretações e reais intenções de seus usuários e propagadores…

O desafio e a novidade é incorporá-los, incorporar-se a eles, integralmente, irreversivelmente: não no discurso; sim no testemunho. Com acréscimo e aperfeiçoamento constante de conhecimentos e competências técnicas conforme seja oportuno. Permitem sair da mesmice e ir evoluindo para alguém notável, diferenciado, propenso a receber e gerar as melhores oportunidades, edificando-se e sendo percebido como referência, como protagonista e alternativa aos folgados e canalhas aos quais dediquei o primeiro parágrafo.

Se você achou o artigo incompleto ou sem conclusão clara: divergências são tão inevitáveis quanto podem ser saudáveis; ou, de fato, minhas assumidas limitações o fragilizaram. O ápice do risco que assumi ao escrever este texto ou artigo está em que sua clarificação só aparece com as respostas do leitor. Se fundamentadas, equilibradas e sinceras, mais clarificação, mais oportunidade; menos clarificação, mais mesmice.

É texto compartilhado entre o leitor e eu, no qual um não terá acesso ao que o outro pensa. Concebi-o como oportunidade. Se você entendeu, respondeu com proximidade ao que eu responderia: já ou logo vai descartá-lo. Se você não entendeu: terá de escolher entre descartá-lo ou se esforçar por encontrar nele a oportunidade!…

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 9 de novembro de 2015