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Num curso de formação inicial para MESC, após o intervalo, propus reflexão para que os possíveis futuros Ministros Extraordinários da Sagrada Comunhão lembrassem toda vez que fossem servir um enfermo, levando Jesus consigo:

“Não pude observar quem se mostrasse incomodado com o atraso para iniciar e reiniciar. Deduzo que ninguém se importará que nos atrasemos para o encerramento (somando os dois atrasos, meia hora após o horário programado). Se alguém, por motivo que nem precisará anunciar, tiver que sair a qualquer momento daqui por diante, por favor, fique à vontade. Quanto aos demais, pelo já exposto, estamos combinados…”

Quando me arrisco a dizer o que não se costuma ter coragem de dizer, há quem sorria e se expresse em concordância, entretanto, pelo comportamento habitual das pessoas e pelas suas caras e gestos, percebe-se que a carapuça serve em várias cabeças (a minha, inclusive, mais de vez). Fico a pensar até onde vão os impropérios que algumas das mentes cristãs à minha frente gostariam de dirigir-me em alta voz.

Ali encontrei quem quisesse usar seu direito de se manifestar e dois candidatos retrucaram com firmeza – e educação. Um disse:

“Você não falou disso ao iniciar e nem anunciou a duração do intervalo. Não me conhece e não sabe dos meus compromissos; tenho que sair às dezessete horas” (saiu depois que encerrei e após conversarmos amistosamente).

Agradeci-os pela participação e cumprimentei-os por não serem omissos, e maledicentes às costas, como é habitual também entre cristãos, quando são infiéis ao Cristo que dizem seguir. Apresentei as ponderações pretendidas e facilitadas pelas intervenções que fraternalmente provoquei. A seguir, algumas.

Num encontro de formação a pontualidade pode ser menos importante que a fidelidade ao passar e ao receber o conteúdo e realizá-lo no cotidiano (embora pessoas pontuais possam se achar, com razão, desrespeitadas pelas geralmente atrasadas).

Você, MESC, em nome de Jesus e da Igreja, é esperado n’alguma casa, com hora marcada, se atrasa por que priorizou outro assunto e tarefa que, fútil ou importante, podia esperar, e chegou  minutos após o enfermo falecer inesperadamente…

Pela fé, creio que a pessoa de passagem “desta para a melhor” não deixará de ser acolhida por Jesus, se já O tinha dentro de si, apesar do MESC que pouco antes não O levou àquela casa na hora aprazada. Se alguém perdeu não foi quem não O recebeu, e sim, quem não O levou!…

O zelo de ser pontual a serviço no nosso ministério é uma das múltiplas, simples e viáveis maneiras de sentir e testemunhar que o corpo de Cristo colocado à frente do peito está também dentro dele…

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 24 de agosto de 2012