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Durante reunião do CONSEG Cajuru, 26/02, um dos assuntos foi o mosquito Aedes Aegypti. A parceira e amiga Sônia Guimarães – que também participa do Conselho Local de Saúde e da Pastoral da Pessoa Idosa – atualizou os números de enfermos e mortos em Curitiba: uma tristeza. Pediu que eu falasse aos empreendedores e moradores locais, abrisse espaço nos veículos de comunicação que realizo ou nos quais tenho acesso. Observei que é exatamente o que faço, com colaboradores, há anos: impressos, postagens, áudios, palestras, reuniões etc atuais e antigos mostram isto. Por intermédio do PAS – Programa Atitudes Sustentáveis – em parceria com a Evíldia Consultoria Ambiental, alertamos com propriedade e responsabilidade.

Acontece que somos limitados e alcançamos parte da população local. Pior que isto é o generalizado desinteresse… Se agora, correndo atrás do prejuízo, governantes, instituições diversas e grande mídia apelam para a conscientização popular, com êxito pouco, imagine nossa angústia, e de outros verdadeiros interessados no bem estar comum, por antever a tragédia que se apresentava e pouca gente percebia. Quantas enfermidades, despesas e mortes teriam sido evitadas…

Após a fala da Sônia, repeti uma de minhas maneiras de conservar a automotivação ante tantos problemas. A seguir, em resumo.

Nós, os empreendedores, trabalhadores, estudantes, cidadãos decentes, afinal, perdemos de goleada para a histórica e vexatória precariedade da infraestrutura, saúde pública e segurança; e que decorrem da indigência da nossa educação formal (e da informal: os preciosos valores morais e éticos que cada vez menos pais e avós testemunham e entregam, uma vez que os possuem cada vez menos ou os desprezam cada vez mais). Existem exceções e até nichos de excelência, entretanto, estou entre os convictos de que na educação e na ética medíocre reside a origem dos males que afetam o país.

Entretanto, podemos juntos marcar um gol de vez em quando. Algo como: a injustiça pode até vencer, mas, nós, os decentes e a justiça, não somos derrotados, somos melhores que a alternativa paupérrima que oportunistas e alienados nos oferecem ou querem impor. Quando estava por sugerir mutirões, que alegria, outros o fizeram!

Pequenos mutirões, para grandes resultados. Associações comunitárias, vizinhanças, grupos religiosos, familiares etc podem transformar uma manhã ou tarde de sábado ou domingo – ou dia todo – em ocasião para limpar um terreno baldio, os quintais da vizinhança, distribuição de dicas. Sempre com organização, autorização e orientação prévia (secretarias de saúde municipal e estadual são fontes seguras). E acompanhar, cuidar e manter os resultados obtidos…

Como acontece para outros assuntos, só reclamar, exigir, sugerir e esperar dos agentes públicos não basta: se, por um lado, são demais os incompetentes, desonestos ou desinteressados, por outro, os competentes, honestos e interessados têm limitado o alcance dos seus bons serviços, também pela falta de comportamento adequado por parte de inúmeros cidadãos, dentre os quais muitos fazem pose de corretos, só pose…

Alguns cidadãos decentes e participativos fazendo por si e pelos outros? Sim! É justo? Para uns, talvez, para vários, não! É suficiente? Não! Podemos ser vistos como exemplos a seguir? Sim, para alguns, de vez em quando! Podemos ser vistos como bobos e alvo de gozações e críticas? Sim, para muitos, constantemente!

Temos alternativa? Sim: entrar ou continuar no gigantesco grupo dos que nasceram gente e se comportam como avestruzes. Fácil imaginar onde o mosquito vai morder…

Mutirão é uma atitude que não vai acabar com o mosquito Aedes Aegypti, porém, poderá reduzi-lo e motivar outras pessoas a um comportamento individual adequado, e coletivo, via outros mutirões…

Vai que a moda pega e, quem sabe, no próximo dia 2 de outubro, vários outros insetos, ainda mais nocivos e em parte culpados e indiferentes pela proliferação do Aedes, sejam eliminados por intermédio das suas não eleições ou reeleições…

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 27 de fevereiro de 2016