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Uma praia divulgada como paraíso ecológico. Belíssima, cada vez mais poluída e estragada pelas pessoas, supostamente, amantes da natureza. Não vi uma única quadra, rua ou valeta que não contivesse lixo. A coleta acontece, no entanto, separação do lixo reciclável é arremedo do que deveria ser.   As praias próximas, em vários pontos, igualam-se, por exemplo, às belas Copacabana, no Rio, e Itapoã, em Salvador: em havendo interesse num banho em águas limpas, necessário viajar dezenas de quilômetros.

Especialistas dizem que se a humanidade não se unir pela real redução da poluição e degradação do meio ambiente o planeta, logo, perderá total e definitivamente sua capacidade de recuperação. Alguma vez, por acaso a humanidade toda se uniu? Dos sete bilhões de seres humanos, que parcela tem consciência disso? E interesse? E atitude? É preciso mudanças, que comecem em cada um de nós.

Conforme dezembro avançou, multidões de desempregados ‘desapareceram’. Conforme janeiro avançou, multidões de desempregados ‘reapareceram’. Aceito que desempregados tirem ‘férias’, em determinadas circunstâncias, uma delas, algum dinheiro que possa ser gasto, sem prejuízo de outras despesas básicas: às vezes, um bom descanso, ainda que não remunerado, se bem aproveitado, pode aliviar e renovar a pessoa, tornando-a mais forte para enfrentar as agruras da busca por recolocação.

Tem quem se conceda ‘férias’ financiadas por bolsos alheios, dando calotes e/ou obtendo empréstimos. Tem quem condene; outros fariam ou fizeram o mesmo. E não são poucos que não viajam, ficam em casa ‘mofando’, morrendo de preguiça e negando-se a chance de arriscar dizer “sim, vou à entrevista para a qual fui convidado.” Note: não escrevi passar as semanas de Natal e Ano Novo correndo atrás das empresas, agências e assessorias que, na maioria, fecham ou reduzem atividades; escrevi, apenas, estar disponível para eventuais oportunidades. Os concorrentes agradecem.

Dentre as poucas pessoas que separam o lixo reciclável, parte delas faz por mera obrigação ou interesse financeiro: as primeiras, dentre os empregados das empresas de coleta pública, por exemplo; as segundas, dentre os coletores autônomos, por exemplo, no afã da própria sobrevivência. Menos mal; melhor quantos mais o façam por conscientização também.

Dentre as pessoas que procuram emprego – e não só elas – incontáveis fazem certas coisas por mera obrigação ou interesse. Melhor para quantos mais o façam conscientes. Melhor que apenas simular, por obrigação, é ser, com satisfação; com qualificação real e não ilusória, portanto. Quem, por exemplo, polui na praia, polui também em casa, na praça, na igreja, associação e na empresa na qual trabalha. Portanto, no máximo, simula ser limpo; porém, vira e mexe revela-se como realmente é.

Que bobagens acabo de escrever, ‘né’? Vá dizer isso para um empregador sério, consciente, moderno, ciente que sua manutenção, lucro e crescimento dependem também de não perder clientes afastados pelo visual depreciativo da sua empresa, suja e repleta de gente sem higiene e educação; tampouco perder tempo, trabalho, pessoal e dinheiro para desentupir privadas mal utilizadas pelos seus colaboradores, ou, ser multado e punido por ter poluído com seus resíduos algum riacho próximo. E por aí vai… Imagine que gente esse empregador quer contratar – ou demitir… Não entender isso é não pertencer ao escol dos candidatos procurados pelo mercado de trabalho.

Férias ideais não precisam ser as formais – de gente que esteja empregada. Profissionais liberais, autônomos, empregadores e desempregados podem e devem viabilizá-las para si. Com benefícios; e com riscos, nos caso em que continuarão ou deixarão de ganhar dinheiro por uns dias. Só teimo numa ressalva: a de que inúmeros desempregados ultrapassam o limite do bom senso e contradizem o potencial que supõem ou simulam possuir, nos currículos e entrevistas, quando priorizam sempre os feriadões e ‘férias’, negando-se assumir o risco de ter como melhor presente de Natal um emprego. Selecionadores e empregadores percebem isso e podem concluir que é pequenez de conceitos e atitudes, sempre e não só nessa época, a apequenar e expectativa quanto aos resultados que aquele enganosamente excelente candidato poderá gerar, caso seja contratado. Podem avaliar errado, às vezes; não sempre.

Com o tempo, invariavelmente, vamos mudando; alguns e às vezes, até para melhor. N’alguns aspectos, optamos por perseverar em determinados conceitos e atitudes.

Então, o ano é novo e este articulista é o mesmo: um chato que não se cansa de tentar melhorar um pouquinho, influenciando alguém a tentar o mesmo.

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 13 de janeiro de 2007