Jesus no caminho de Emaús

Tudo sempre acontece conforme a vontade de Deus. Vontade que jamais ninguém consegue compreender mais do que apenas um pouquinho, principalmente, quando em nós e em quem queremos bem e amamos existe dor, sofrimento e a incapacidade de solucionar problemas, mais ainda, aqueles que vão se agravando e provavelmente não terão volta.

Como, conforme avançamos em idade, as situações de dor e sofrimento vão se avolumando, também as perdas, resta-nos, para nosso bem e o dos nossos entes queridos e demais ao nosso redor, assumir o risco maravilhoso de depreender o quanto podemos ganhar conforme perdemos: a gente se aproxima dos nossos queridos que sofrem e nos fazem sofrer com e por eles; e a gente se aproxima do Cristo, por intermédio do serviço abnegado ao nosso próximo.

Se, a começar para a pessoa que todo dia vejo diante do espelho, descartarmos a tola tentativa de querer entender toda a vontade de Deus ou o atrevimento de querer que Ele faça a nossa vontade, e adotarmos a aceitação plena e amorosa de que Sua vontade é sempre e toda para que avancemos em nosso constante processo de conversão ao Caminho, então: mesmo que choremos, podemos permanecer felizes, mesmo que nossos queridos chorem, poderão permanecer felizes – ainda que uns e outros, também nós, portanto, nem sempre percebam ou percebamos a felicidade imediatamente ou a refuguemos tolamente.

Não é por acaso que apesar dos momentos de dor e sofrimento damos boas gargalhadas ao lembrar e compartilhar as peripécias entre nós e nossos queridos e amados. Não é por acaso que nossos amados, todos, são sempre presentes em nós, mesmo quando já não o são fisicamente. Não será por acaso que um dia nossos queridos e amados hão de celebrar esta mesma graça, lembrando-se de nós, quando nossa hora de ausentar fisicamente chegar.

“Apesar dos pesares da vida”, que fazem tanta gente desacreditar em Deus e na felicidade que aceita-Lo proporciona, Ele e ela permanecem sempre presentes e a disposição, principalmente, dos mais frágeis, ingratos e descrentes: com Deus a gente só ganha, mesmo quando perde.

Se Deus, desde sempre, para o bem de todos nós enviou e viu Seu Filho passar pelo que passou, se Nossa Senhora suportou a indizível dor ante aquela cruz, quem somos nós para não aceitar tudo pelo que passamos e passaremos?

Ao longo da nossa jornada sorrimos e sorriremos, choramos e choraremos. Somos livres para escolher sorrir e chorar sozinhos ou no colo de Deus, que nos ama tanto, que vive a nos preparar para poder sorrir eternamente junto Dele e, novamente, de todos os nossos queridos e amados…

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 27 de maio de 2016