13403231_552033634957302_7045945821699655250_o

Convidado, compareci ao evento comemorativo dos vinte e cinco anos de fundação da Unifer – União dos Ferroviários, na Rua dos Ferroviários, 127, próximo ao Terminal Oficinas, Cajuru, Curitiba PR (8/6/16). Há vinte e cinco anos, os ferroviários aposentados passaram a ter uma associação a representa-los, auxiliá-los, congrega-los e que adiante veio a oferecer-lhes atividades recreativas. Em quase duas agradáveis horas, resumo do histórico da associação, testemunhos de histórias vividas na RVPSC – rede de viação Paraná-Santa Catarina, depois RFFSA rede ferroviária federal, fizeram-me um dos grandes presenteados da tarde: compareci como presidente da AECAJ e do CONSEG – associação empresarial e conselho comunitário de segurança do Cajuru, mas, foi como feliz ferroviário que me senti.

Em 1981 e 1982 fui aluno do excelente Centro de Formação Profissional Coronel Durival de Britto e Silva, do qual saí formado mecânico de locomotivas, homenageado como aluno padrão e premiado com a contratação em definitivo pela Rede Ferroviária, na qual trabalhei no setor de Montagem, onde, além de ter sido mais de vez cotado para supervisão, embora jovem, alcancei um patamar no qual era um dos responsáveis por receber as locomotivas avariadas, conferir o ‘reporte’ (um diagnóstico por escrito feito por mecânicos nas cidades ou estados de onde as máquinas foram encaminhadas para reparo na oficina principal); e conduzia revisões parciais ou gerais (a remontagem total dos motores e das locomotivas completas – caso em que compartilhando e acompanhando outras equipes – eletricistas, latoeiros, ‘truqueiros’ etc – até os testes e a liberação das máquinas para uso).

Saí por livre vontade, em julho de 1990, aos vinte e quatro anos de idade, para surpresa e contrariedade dos colegas e superiores, que tentaram, em vão, me demover da ideia: saí para vivenciar outras experiências, mas, a Rede e a ferrovia eu amava e jamais deixei de amar. Até hoje, parte da minha base de valores profissionais, morais e éticos, ensinada, aprendida e consolidada durante aquela década maravilhosa como ferroviário, me é de grande valia.

Eis, pois, que ferroviários daquele tempo romântico, que tive a honra de testemunhar no seu ocaso (pouco após minha saída a ferrovia foi privatizada), sabem o que é, por exemplo, o já citado ‘reporte’, o ‘buda’ (empilhadeira), a ‘bituca’ (mini-locomotiva para manobras no pátio da oficina), ‘pereba’ (já naquela época, pequena e veterana locomotiva U5B), ‘Macosa’ (a locomotiva GM G22(C)U com dois ou três truques, fabricada entre 1970 e 1973, até hoje operando por aí) e ‘Villares’ (também da GM, GT22CUM, montada no Brasil, primeiro lote em 1982, se não me engano); afora os impagáveis apelidos, que valeriam um longo e exclusivo artigo. Foram citadas diversas pessoas que conheci, algumas revi ali, e outras tantas que lembrei ou não esqueço: valeria outro longo e exclusivo artigo. Citarei um e citando-o, de coração, modesta e sinceramente, presto meu respeito a todos, inclusive, os já definitivamente saudosos: João de Souza Albino, bom amigo, grande ferroviário e cidadão.

Uma das maneiras de aferir se este país tem chances de finalmente começar a virar nação e a se desenvolver concretamente é observar a sua malha ferroviária: compare-se a malha brasileira com a de nações desenvolvidas e constate-se como ainda estamos no tempo da singela e meiga ‘Maria Fumaça’.

Curtir o passado é bom demais; se a curtida ajudar a entusiasmar na construção do futuro, melhor ainda!

 

José Carlos de Oliveira

jc@radioplena.com.br – fb.com/oliveirajosecarlos 

Publicado originalmente em 8 de junho de 2016